sexta-feira, 3 de maio de 2013

E foram pagos para isso!


Não quero colocar nenhum possível leitor em uma situação vexatória. Portanto, faremos de conta que utilizamos este recurso somente com crianças ou animais e nunca soltamos, em nenhum momento, frases deste estilo para uma pessoa amada. Mas, pelo impacto, às vezes dizemos sentenças que se fecham em si mesmas.

Em casa tive uma felina durante muitos anos que foi um dos animais mais carinhosos que tive. Nunca se cansava de receber carinho e retribuía o afeto com gratidão como se dissesse hey, gosto de você também. Eu dizia à gata - nessa história de dono conversador com seus animais - que ela era o docinho mais docinho que conheci. Era uma frase boba, simbolizando o carinho que também sentia pelo animal e que se fechava em si, não possuindo nenhum significado além de você é muito carinhosa.

Observo que a publicidade se tornou objeto destas frases que causam impacto mas que não dizem nada sobre o produto. Não sou um especialista, mas recordo diversas frases de efeito que permaneceram em minha memória por sua força, pela quantidade de propagandas e outras maneiras de divulgação que traziam em sua síntese a importância do produto, suas qualidades ou algo do gênero. Com frases que se tornaram maiores que suas próprias propagandas e permaneceram em nosso vocabulário.

Um slogan, uma propaganda, até onde tenho conhecimento básico, funcionam como uma apresentação do produto de alguma maneira. Então, me deparo com um anúncio um pouco antigo da Editora Abril no meio de minhas revistas. Percebo que para cada edição há uma frase que traduz o conteúdo da revista. A Playboy faz referência aos prazeres, a Info ao desejo pela tecnologia e chego até a Super Interessante: para quem é super.

Embora explicite o diálogo com o leitor, chamando-o de especial pela leitura da revista, o que define, de fato, o conceito de super? Algo melhor que outros? Além dos limites? Pergunto-me porque não é uma frase bem feita para explicar o conceito da revista, que explora reportagens tentando ficar entre a linha da informação e da ciência.

Em outro ramo da propaganda, talvez mais escorregadio, as bebidas alcoólicas sempre desejam passar a sensação de que são as melhores do mercado. Produzem um referencial hipotético para nos convencer. A Skol desce redondo porque compreendemos que um círculo é mais fluido que um quadrado. A Antarctica utilizava a questão numérica para se proclamar a número 1. A primeira dentre todas as outras.

Há um referencial óbvio que está concebido na cabeça dos espectadores para reconhecer as propagandas. Porém, o que faz uma cerveja bem cervejada? Qual o critério que devo ter para compreender sua supremacia perante outras e, assim, comprá-la? Não há.

É só uma frase circular que se fecha em si mesma. Causa certo impacto, mas não diz absolutamente nada, tampouco me convence de que é a melhor cerveja no mercado. E alguém foi pago para promover essa ideia e outro alguém concordou que era a melhor dentre todas as ideias. Porque, talvez, ninguém ligue mesmo para os slogans, já que o público alvo estará embriagado.

Mas há um abismo entre um adjetivo que se fecha em si mesmo para um animal de estimação e um produto comercial em escala nacional. Se não, em breve, veremos produtos que são bons porque tem uma bonicidade bem bonizante da bonzississe de bom

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